Calmaria

Nunca me senti como me sinto hoje, pois hoje posso afirmar que estou: Calma. Parece que tudo passou e eu só consigo pensar que de agora em diante os meus projetos podem ser em longo prazo, posso planejar uma casa, um carro novo, criar um cachorro ou um gato, ter um aquário e até plantar um jardim. Não preciso mais correr, não preciso mais chorar, não preciso mais me desesperar. É claro que ainda há muito por fazer, mas este muito não irá determinar a minha vida, hoje colho o que já plantei e daqui pra frente é pra melhorar, com a certeza de que é daqui pra mais e não mais para menos.

A mudança de cidade só enfatiza a questão do construir, e eu tenho muita coisa pra construir, desde o entendimento da cidade, até o meu futuro lar, mas eu quero ir com calma, quero fazer aos poucos, quero olhar e sentir as coisas de uma forma como nunca antes, ou por falta de tempo, ou por falta de calma na mente e no coração.

Sinto que hoje eu posso me apegar a algo, e porque não, a alguém. Pois de uma forma bem inconsciente, que eu só fui perceber depois de tudo que se passou comigo e foi descrito no post anterior, eu sempre fugi desse compromisso, pois na minha mente profissão e realização pessoal não caminham juntas. Muita gente pode falar o contrário, mas sinceramente eu não penso assim. Penso que uma vida profissional bem sucedida deve ser livre de qualquer sentimento maior. Eu me “casei” com minha profissão no dia em que me formei. Percebo que só estou tendo a oportunidade que estou tento hoje, pois não tive uma ligação maior com alguém. Pude mudar de cidade e aqui estou eu aproveitando todas as oportunidades que estou tendo. Não acho que estou certa, muito menos errada, minha vida seguiu assim.

Sempre tentei ser bastante positiva em relação a tudo e sempre achei que no final, aquele depois dos créditos e do “The end” tudo ficaria bem, e acho que eu estava certa, agora eu só espero construir minhas coisas de longo prazo, acho que serei feliz, seja aqui ou em qualquer outro lugar. Quando cheguei aqui, nas primeiras horas, nos primeiros dias na minha mente só uma idéia passava: Natasha, você irá ficar aqui por 3 anos e sair pro Doutorado e depois pra outro lugar, pois você não quer ficar aqui! Mas depois que comecei a trabalhar, depois que comecei a perceber que as pessoas aqui (no trabalho) não são somente funcionários e que eles querem, sim, alavancar a pesquisa eu percebi que aqui também pode ser o meu lugar e que eu não devo ficar com o pensamento de ir embora, não devo ficar agoniada buscando um lugar pra me encontrar, eu posso e devo me encontrar aqui também, eu posso e devo pensar no meu doutorado, mas ele não precisa me afastar daqui. Quando fiz o concurso ele não tinha prazo de validade depois da posse, então eu não posso colocar um prazo nele, o que não posso é me acomodar, devo sempre crescer e buscar mais.

No fundo eu sei porque estou com esta idéia fixa de ir embora, é por conta do amor que descobri que sinto, quero ir pro doutorado pra buscá-lo, mas hoje decidi que não vou me condicionar a este amor que não aconteceu. Não posso deixar de construir, pra buscar algo que nem fundação possui, pois o amor sou eu quem sente e não ele, a única certeza que tenho é que ele gosta muito de mim e me quer muito bem, mas é só isso. Portanto não posso deixar de me apegar as coisas e pessoas daqui pra ir ao encontro dele e posteriormente fazer um concurso junto dele, e ele ele ele… tenho que fazer por mim e pra mim!

Sobre natcosta

Eu?? ahhhh... eu deixo o coração ter a mania de insistir em ser feliz...
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